03 nov O QUE ACONTECEU COM O PRESS RELEASE?

Por Nicole Barros *

Não faltam obituários que decretam a morte do press release nas práticas de comunicação. As redes sociais, a crise editorial e a burocracia são apontadas como os assassinos do bom e velho PR. Os mais tradicionais torcem o nariz, os novatos se empolgam com as novidades tecnológicas e a relação entre empresas e mídias fica à espera de uma nova estratégia que possa turbinar o envolvimento da marca com seu público-alvo. Mas será mesmo que é possível afirmar, com todas as letras, que o release morreu?

O discurso nas principais faculdades de jornalismo ainda traz a importância desta ferramenta para as assessorias de imprensa. Sua missão principal é entregar as mensagens oficiais das empresas, sempre na linha de comunicado, anúncio e lançamento. Dessa forma, grande parte das comunicações passou a ser acompanhada por um release bem fundamentado e discutido entre agência e cliente. O que muda é a forma sobre como se trabalha esse press release. Não aos disparos de qualquer notícia porque o cliente pede e muito mais sim para uma entrega de textos focados em relevância tanto para a marca como para quem recebe e, ainda, quem vai ler.

Com a popularização da Internet e a velocidade com que a mensagem passou a circular, a notícia, que antes era o eixo central da divulgação, passou a ficar presa em uma operação burocrática que atrapalha o fluxo ágil da comunicação. É nessa contradição que nasce a ideia de que o release em si não faz mais sentido no cotidiano das assessorias de imprensa.

Na verdade, o press release não morreu. Ele apenas se readaptou a novos tempos e formatos. O texto padrão agora ganhou uma nova roupagem e passa a atender pelo nome de conteúdo. O release pode dar lugar a um Infográfico, um texto que traz dicas que orientam o público-alvo, posts no Facebook, com ilustração, um tweet com várias hashtags, um vídeo no Youtube, uma foto no Instagram ou uma pauta bem formulada que combine diversas fontes em um único material. O objetivo é o mesmo: levar a melhor mensagem do cliente para a mídia.

Esta mudança aconteceu tão rapidamente que ainda falta ser assimilada pelo mercado. Vender uma ideia diretamente para o jornalista sem precisar das idas e vindas entre produção, aprovação e ajustes é o sonho dos assessores de comunicação, mas que, por outro lado, receiam de não ter um material oficial para se apoiarem. Neste sentido, a produção de conteúdo, principalmente o release, é uma métrica importante para mostrar que o trabalho está sendo feito em busca da melhor comunicação para a marca.

Em um momento em que o conteúdo é líquido e corre por vários canais até chegar ao público final, o release ainda é um importante formato que atinge este objetivo. Descartá-lo é abrir mão de uma ferramenta que continua com aderência nas mídias brasileiras. O importante é entregar aquilo que uma marca mais precisa alinhado ao que a imprensa e, atuamente, outros canais de comunicação mais buscam: notícias relevantes para um público que hoje escolhe o que quer ler.

Bem-vindo à era do conteúdo, literalmente, integrado.

Nicole-NBpress

* Nicole Barros é CEO da NB Press, agência de comunicação especializada em assessoria de imprensa – www.nbpress.com

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